Vestido Negro

Como se fosse uma santa de altar a democracia não se discute. É uma velha senhora cujo a sombra está queimada pelo seu perfume de menina, os seus seios continuam firmes como outrora no arrimo de um triste corpete.
Mas que perfume dão à rapariga, seja de rosa ou de cantiga, ela é majestosa e antiga. A quem já cessou o seu raio de luz, sorrio-lhe ao retrato e aos novos é um entrave ao seu palato. Sou apenas um escritor a quem a vida corre atrás para roubar aquilo que em cada dia temos menos, a verdade. E se ela fosse tão primórdia como a democracia, seria uma criança mumificada de mentiras.

Ao que chamam de democracia, eu invoco como ditadura anestesiada.

André M.

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