Raízes do Sol

Faço por morder o frio por entre os dentes esquecendo o fim de mais um inverno. São quase vinte e duas primaveras que se confundem mutuamente violando-se uma após a outra, viajando elas pelas estruturas de ar que este corpo moribundo amamenta.
Esqueci o trago do vinho que é a liberdade, uma verdade incontrastável de uma realidade minúscula que a simples utilização dos olhos não a reconhece. É a nova borboleta da primavera que cria em mim o poder de duvidar semeando limites para ser-se ilimitado, que me faz enraizar em lagos de música onde me torno consciente de quem sou.
A minha felicidade flutua entre o estrume que deponho na raiz das palavras e o aroma que me excita quando acabo de as colher.

Eu estava tão perto de ti que tenho frio perto dos outros.

André M.

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