Não tenho tempo nem idade para aqui ficar, um mundo inteiro espera-me lá fora, fora desta janela que agora partilho convosco. Não tenho a idade certa nem a gostaria de a ter, pois tudo lá fora é tão natural, tão simples e perfeito.
O tempo corre, às vezes depressa de mais mas, é sempre a mesma ilusão. Tudo tem o seu espaço e lugar, sei agora que não interessa a idade nem o tempo, mas sim a forma como preenchemos essa linha desenhada a giz a que chamam vida, amizade e amor.
Somos dominados incessantemente por sentimentos de "preocupação", "medo", "ansiedade" entre tantos outros que monopolizam a nossa mente, que não nos deixam absorver o que a vida tem de melhor. A felicidade.
Felicidade essa que se encontra no erro, que se ergue perante os escombros do nosso ser, prefiro ser humanamente uma ruína dos meus fracassos do que ser um império alicerçado de ignorância e miopia.
Serei sempre um buraco sem fundo de mim mesmo, uma sombra que não foge da luz. Que quanto mais perto chega mais escuro ficam os meus passos e então é aí que sei, a vida não passa de um completo mistério do qual não devemos tocar. Sejamos ignorantes. Uma mera abelha não se preocupa com o dia de amanhã ou o porquê do sol nascer todos os dias, apenas é feliz por ser o que é e lutar pelo o que deseja sempre. O simples beijo de uma flor.
Um dia, quando tiver a vossa idade vou desejar ter vivido tudo de forma tão diferente. Farei o que nunca fiz, viver com simplicidade. Viver que nem uma abelha, lutar pelo dia e agradecer no próximo, quando ao abrir os meus olhos sentir que estou vivo.
Agora, o meu tempo já corre a meio da ampulheta e eu não me preocupo. Tomei as melhores decisões naquela altura e agora o sei. Gratifico-me por conseguir olhar para trás das costas e dizer "fiz o melhor que sabia naquela tempo". Pois o que sei agora, segura firmemente o pilar da minha consciência humana, escolhi ser uma ruína de mim mesmo e erguer laços de fraternidade ao invés de me tornar um genuíno escravo de vós. Pessoas de coração de pedra.
André M.
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