Fala destemida

Oh Rosa!
Respondei perante mim, vosso senhor!
Porque não te eis curvado perante o grilhão da solidão?
(Desembainhando a espada sobre a cintura e apontado-a a vós, aguardo sua resposta)
Senhor,
(levantando ligeiramente a sua cabeça de pétalas desguarnecidas pelo tempo, proferiu..)
.. Senhor, outrora por esta terra eis havido seres como vós, guerreiros destemidos, sedentos de sangue que pilharam casas e vidas..
Oh Rosa, e vós, porque haveis ter brotado nesta terra vazia aos desígnios d'ele todo poderoso?!
Sabe Senhor.. minha cor havei sido branca, noutrora em que paz e felicidade reinariam por estes campos. Hoje, perante vós, guardo o peso do manto negro, seco, como esta terra!
Não quereis que imponha um fim a tanto tormento vosso?
Não!
(Erguendo seu calo já cansado uma última vez mais, havei respondido)
"Enquanto eu aqui permanecer, existirá sempre uma réstia de esperança entre vós, homens, donos de terras sem fim. Eu sou a esperança, eu sou a forma mais delicada e frágil que nascerá sempre entre vós.."
(Guardo a espada, curvo-me perante ela e sorrio..)

André M.

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