Hachi, sorte.

O tempo passa, vagueia e não espera
Ciclo vicioso, mais teimoso do que eu,
Findas a luz dos meus olhos de quimera
Desgastas o meu amor que sempre foi teu.

Sentado no mesmo lugar onde te vi partir
Levaste na bagagem o meu coração sem pedir,
Anseio pelo teu regresso numa viagem sem retorno
Aguentei frio e chuva, de olhar terno e morno.

Corpo fraco de toque gélido e pele sem cor
Aguentas-te o desgaste do tempo, mesmo sem alegria nem amor,
Carregaste sobre ti o peso da idade
Descansa agora, no meu coração cheio de saudade.

A carne curvou-se ao senhor do tempo sem piedade
Os anos passaram, mas não levaram a felicidade.
Idade que acinzentou o rosto do coração,
Leva-me agora, neste mártir de solidão.

Não fui eu que te encontrei, foste tu que me encontras-te a mim. Hachi.
Com Carinho, André Marquês.

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